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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Se eu envelhecer(12)



Sinto o tempo como areia que escorre entre meus dedos
Nem por um segundo consigo segurar
Estou envelhecendo e isso às vezes me causa medo
De um dia perceber que me tornei uma velha gaga

Quando o reumatismo tomar conta do meu corpo
E meus cabelos se tornarem brancos como a neve
Talvez fique dependente dos outros
Ou quem sabe não lembre nem se alguém me deve

Não vou poder mais apressar meus passos
Nem comer com muita avidez o que me alimenta
Seguindo de mansinho reclamando entre os dentes
Tornando-me ardida, chata e rabugenta

Meus olhos não serão mais o suficiente para enxergar
Os óculos serão de grande ajuda
Talvez nem deles eu vá precisar
Pois uma bengala poderá me servir de bússola.

Mas espero chegar até esse dia
Que eu envelheça sem me preocupar com as conseqüências
Se eu der muito trabalho, faz parte da vida
E se vocês acharem ruim...Humm...Terão que ter paciência..

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Meus medos(13)

Tenho medo dos meus medos, eles escancaram minhas fraquezas e revelam os meus segredos.
São medos que criei desde infância e cresceram junto comigo,
Ajustaram-se a amargas lembranças, me torturam como um castigo.
Procuro vencer esses momentos que muitas vezes me paralisam ou me apavoram
Mas é mais forte do que eu e sempre que acontece a minha coragem eles devoram
Deixando-me a mercê de meus pensamentos que me reviram por dentro
Sentindo o pânico apoderar-se dos meus nervos que ficam a flor da pele
Causando-me náuseas, tonturas e uma sensação que me entorpece.
São medos que não deveriam existir em tal proporção
Muitas vezes nem eu entendo o porquê de tanta agitação
Mas, assim como tenho esses receios que tanto me incitam
Em outros momentos tenho coragem desmedida, faço coisas que qualquer um duvida
Aposto na vida e corro atrás, faço e desfaço, sem nem pestanejar, os meus ideais
Recomeço do zero ou me acerto no que for mais convincente
Tenho medos incabíveis e uma audácia insana, são estranhas reações da minha mente
Que em certas horas me tranca,
Em outras me lança de frente ao risco eminente.


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Existência(14)


Hoje se foi o ultimo rastro de tua existência
Entre nós pobres seres mortais
Estais agora em outro mundo, com maior abrangência
Sei que agora não sofres mais.

Tua ausência nos entristece
Tuas lembranças vivem em nossos corações
Saber que te foste nos emudece
Estarás presente sempre em nossas orações


E por que aqui ficamos com tuas lembranças
E a tristeza em saber que conosco não mais partilhas
De abraços, de amor de acalantos
Teu espírito ainda vive,
Mas teu corpo agora virou cinzas

A vida, uma viagem de trem(15)


Existe uma mulher em mim que a muito se perdeu
Ficou em qualquer estação e eu segui caminho
Como em um trem vou seguindo viagem
Deixando em cada estação,em cada destino
Um pouco de mim e um tanto de saudade
De muitos que vêm e de outros que acabam partindo.

E entre nuvens de fumaça segue o meu vagão
Deixando pra trás, paisagens, memórias
Amores e histórias que vem e vão...
Não sei ao certo para onde estou indo
Nem quando será meu ultimo embarque
Vendo sempre alguém entrando ou  saindo
Sendo curta ou prolongada viagem
Sei apenas que estou de passagem.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Na escuridão(16)



E de repente o obscuro, foi o que restou,
Quando quis achar as coisas que não via
Percebi que muito eu conhecia de cor
O resto, eu apaguei, no escuro eu não sabia.
Tentei recordar de todas as belezas coloridas,
Dos rostos, dos sorrisos, eu não conseguia...

Foi então que  a escuridão se fez presente
Na minha vida e em tudo que antes eu via
Fez-se também em minha mente
Tornando noite todos os meus dias

E todas as formas visíveis se apagaram
O que me era claro escureceu
As visões de tudo que era palpável de mim fugiram

Restando apenas um eterno e solitário...  Breu.  


Para minha irmã Murcia

quinta-feira, 24 de maio de 2012

BIPOLAR(17)

Essa revolta sem pretexto e desmedida
Que atiras em mim como lanças afiadas
Fazem abrir e causam hemorragias
Em feridas que ainda nem foram cicatrizadas

Essa ira que te ofusca a sensatez
Em poucos momentos entras em conflito
Virando meu mundo um caos com tua acidez
Para que depois essa loucura acalme
Agindo como se nada houvesses dito.

Segues literalmente beirando esse precipício
Entre o súbito furor ou a alegria momentânea
Deixando sempre o receio e o indicio
De uma forte tendência dúbia e insana.

Não queria aceitar essa certeza
De que a hora em que me amas
De repente podes te contrariar
Alucinando certas fraquezas
Num sentimento incoerente e bipolar.

sábado, 19 de maio de 2012

Tédio!!!!!(18)


O dia passa lento, vazio e inerte
Sem nada para fazer, nada para resolver
Nada me seduz ou me diverte
Sair do quarto para que?

Foi o tédio que apoderou-se do meu corpo
Deixando minha mente em estado deprimente
E em condições letargica de total torpor
Meu espírito torna-se estranho e ausente

Ficando apenas minha carcaça
Que estirada ao leito procura animo
Algo que agite essa preguiça que me abraça
Para poder sair desse momento enfadonho

E assim o dia todo passa
E nada la fora me atrai
Reviro no colchão e o sono volta
É mais uma noite que se esvai.