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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Meu encanto(3)





Não sei se um dia serás a causa de minha amargura
Ou quem sabe já seja a minha perdição
Pois cada vez que em teus olhos vejo essa ternura
Sorrindo como se pedisse um pouco de atenção
Uma meiguice invade minha alma como brumas
E como um suave encanto, você segura minha mão
Seus carinhos são como balsamo para minha tristeza
Sua meiguice consola meus dias inquietos
Seu amor desarma toda a minha fortaleza
És meu pequeno sonho, meu querubim...
Meu adorado neto

O amor (3)





Adoro esse amor que você me da todos os dias,
Essa maneira só sua de me fazer sentir tão segura
Seu sorriso e brincadeiras tão cheios de alegrias 
Amo esse seu rosto inocente e seu olhar de ternura.

Apaixono-me a cada amanhecer quando te vejo ao meu lado dormindo
Acordamos sempre disposto a enfrentar qualquer desafio que virá
Meu encanto é ver você com esse seu jeitinho manso  sempre sorrindo
Acredito que esse amor que há entre nós nunca  acabara.

São tantos anos juntos que nem percebemos
Que o tempo passou e continuamos iguais
Apenas juntamos nossos corpos e mentes
Nossos cabelos brancos não mentem
Transformamos a cada dia nossos sonhos em fatos reais.
Te amo ontem ,hoje, e sempre te amarei cada vez mais

No vazio da alma(4)





Sem noção de tempo, olho os papeis amassados na mesa e percebo que a inspiração desapareceu do meu intimo. Sinto-me só, desacompanhada de emoção seja ela qual for.
O dia vai amanhecendo cinzento la fora e aqui dentro morre mais um poema em uma folha embolada jogada ao chão.
Não consigo... Tudo me parece tão enfadonho, tão sem cor, tão inerte, que até a brisa não sopra entra as folhas das arvores que vejo da minha janela.
E nesse mundo tão inóspito e sem graça tento imaginar uma maneira de salvar meus próximos dias.
Sinto-me em desvantagem já que sai da cidade em que nasci, depois de quase quatro décadas, moro num condomínio de uma classe media não tanto abastada, mas muito reservada, casada com um cidadão que vive envolvido em livros, equações, computação e viagens a serviço.
Em meus pensamentos, procuro rever conceitos ou momentos passados tentando sorver algum tipo de sentimento por eles deixado.
 Mas nada consegue retirar essa inércia causada pela solidão que me acalanta a alma.
Como uma prisioneira do meu próprio isolamento, arrasto correntes andando no vazio desse apartamento , em plena madrugada esperando o sono ou um alento que eu sei que não vira . Acendo um cigarro e tomo um cafezinho para tentar acordar minhas idéias. 
Então, uma triste certeza começa a me abater, é saber que meus confinantes dias que virão não serão tão diferentes do de hoje, isso  causa-me calafrios, como se pressentisse que minha vida iria esvai-se pelo ralo do banheiro, e eu acorrentada em minhas decisões deixaria ela passar sem nada poder fazer.
Procuro então, com meu parco vocabulário escrever o que vem a mente e ver se consigo dar sentido ao que rabisco em um papel.
Como um rouco desabafo da minha vida que grita
Nesse quarto branco onde o silencio sepulcral habita
Tento em vão escrever umas precárias e idiotas linhas
Sobre minha alma que no momento encontra-se vazia,
Sem sentimentos sejam eles de aflições ou de alegrias.
Vejo minha inspiração agonizando diante de meus olhos aflita
Um descontrole que não deixo ser percebido por quem acredita
Em tudo aquilo que escrevo e repasso suavemente, ao meu papel com tinta.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Retratos do passsado(5)

Em meu quarto cheio de retrato,
Tem o meu passado revelado,
Em fotos grandes ou 3x4
Como um filme sem itinerário

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Se eu soubesse...(6)


Ah como eu queria, poder controlar o tempo com minhas mãos
Cada instante que eu deixei passar sem saber o que fazia
Pensando que teria para sempre o amanhã
Ah eu não sabia...
Que cada  sonho não realizado, cada remorso do que fiz de errado
Cada momento importante que foi adiado
Pensando que teria sempre um novo dia

Ah eu não sabia...
Que se eu tivesse feito muito mais por minha vida
Eu não estaria chegando ao fim da linha
Com a sensação de que não a usufrui como devia

Ah eu não sabia...
E  agora, depois de muito tempo passado
Percebo o quanto ele foi desperdiçado,
E com minhas esperanças perdidas, hoje sofro calado
Sinto que meu espírito reluta cansado,
No espelho vejo meu rosto enrugado,
Já não tenho mais os meus belos traços. 

Ah meu Deus eu não sabia!
Que todos aqueles instantes vividos em vão,
Sem um objetivo ou sequer motivo, sem rumo ou direção
Foram momentos preciosos da vida que eu perdia...
Momentos que nunca mais voltarão,
Escoaram pelo vão da vida
E eu deixei passar, porque eu não sabia...

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Rastilho de polvora(7)




E lá estava Magg, dentro do ônibus depois de mais uma manhã no seu trabalho. Era telefonista de uma grande empresa, e seu uniforme, tipo executivo, dava-lhe a elegância necessária. Carismática e falante possuidora de uma beleza normal. Com esses atributos, conseguia ganhar a simpatia de muita  gente.
                 Nesse dia, ela percebeu que, sua diarista estava à espera na parada de ônibus em que descia. Ficou logo preocupada, pensando haver acontecido algo com seu filho de oito anos, que ficava sempre com a sua ex-sogra depois que chegava da escola, até a hora em que voltava do batente.
               Assim que desceu no ponto, sua diarista foi falando: “_ Olhe, dona Magg, vou logo lhe falar o boato que ta correndo por aqui pelo conjunto. A esposa do Sr. Melancia, ( um vizinho seu apelidado assim, por ser gordo e meio verde), foi lá na sua casa para discutir, pois ficou sabendo através de uma cartomante que o marido dela está tendo um caso com a senhora. Ela queria ir às vias dos fatos para saber se isso foi verdade ou mentira!”
               Magg ficou meio que de boca aberta sem saber direito o que estava acontecendo! Afinal, esse casal era vizinho de frente à sua casa. Como essa mulher poderia pensar que seu marido conseguiria ter um caso com ela morando tão perto uma da outra? 
Quando chegou a sua residência, sua vizinha do lado a estava esperando para dizer que já sabia de tudo que estavam falando e que tinha ido à casa do casal para tomar satisfação, pois também não acreditava em tal absurdo. A esposa dele pediu “pelo amor de Deus que não contassem nada pro marido” porque ele jurou que iria embora , porém não sem antes lhe dar uma boa surra se soubesse de algum comentário sobre esse assunto.
              O telefone tocou. Era a outra vizinha da esquina, dizendo que havia conversado com sua prima, que também morava no conjunto. Ela tinha dito que já havia desconfiado da relação entre eles dois pelas olhadas que ele sempre dirigia a ela quando chegava do seu trabalho, toda vestida de executiva. O caso estava ficando cada vez mais comentado pelas vizinhas fofoqueiras do seu conjunto.
           Ela estava perplexa! Como um caso, sem um fundo sequer de verdade, estava tomando tamanha proporção?! Como alguém poderia culpá-la de um fato que nunca ocorrera e que provavelmente nunca iria ocorrer?
              Logo mais à noite, Magg estava assistindo televisão em sua poltrona, quando de repente começou a ouvir gritos vindos da casa do casal . Foi à janela para verificar o que estava acontecendo. Panelas e pratos voavam pelos ares, junto com os gritos vindos de uma acalorada discussão entre os dois. Fechou sua janela apagou as luzes e foi dormir. Não queria participar daquela confusão causada por eles mesmos. Só que, logo depois, toca seu telefone e quando atende percebe que é a voz da Sra. Melancia, gritando:_ “_Escuta aqui, sua destruidora de lares, sua piranha, se meu marido me abandonar, eu juro que mato você por isso, sua cadela ordinária!”
          Totalmente atordoada Magg desligou o telefone . Era muita confusão para sua cabeça!
No outro dia, bem cedo, sua ex-sogra, que também morava lá próximo, ligou para dizer que já estava sabendo de toda a confusão que a “outra” tinha armado. Por isso tinha chamado, na noite anterior o Sr Melancia na sua residência, para poder esclarecer os fatos sobre o boato que a esposa dele havia feito. _ “O homem saiu enfurecido daqui ”, *contou-lhe ela, _ “E disse para você não se preocupar que ele iria tomar a devida providencia”. Magg ficou mais do que preocupada com a situação que tinha ficado sem controle e não sabia nem que atitude tomar ou até se devia tomar. Não querendo mais se meter em confusão, foi trabalhar sem nem olhar para a casa da vizinha.
               O dia passou tranquilo. Quando chegou o final do expediente, nem se lembrou da confusão em que estava metida. Chegando em casa o telefone tocava novamente. Era uma amiga dessa esposa do Sr Melancia, que também morava no conjunto, para dizer para ela tomar cuidado, pois o Sr Melancia havia abandonado a esposa por causa dela,  “_... E que ela merecia pagar por isso muito caro”. Palavras da suposta vitima. Então, começou a querer agredi-la com palavras cruéis e de baixo nível.Desligou o telefone sem esperar para ouvir ao mesmo tempo em que soava a campainha da porta. Ainda atordoada, foi atender, quando toma um susto ao ver que era a Sra. Melancia, toda machucada. E que sem dizer nada, enfiou uma faca no seu peito segurando até ve-la cair ao chão desfalecida. Em seguida foi embora como se nada demais houvesse ocorrido. 
Magg em agonia aos poucos foi morrendo sem ao menos entender ao certo, o que tinha realmente feito para merecer tudo aquilo.